Canabinóides no caminho contra Alzheimer

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A perda de algumas capacidades em termos de desempenho cerebral é um processo natural com o avanço da idade. Em algumas situações pode tornar-se patológica e surgirem doenças como Demência.

Segundo a Associação Alzheimer Portugal, Demência “é um termo abrangente que descreve a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações das reações emocionais normais”. A doença de Alzheimer é a forma mais comum.

Os investigadores continuam à procura de formas de reduzir, evitar e curar as doenças relacionadas com as capacidades cognitivas. Muitos consideram que nutrir o sistema endocanabinóide é fundamental na prevenção e redução de riscos nas doenças neurodegenerativas.

Os investigadores verificaram melhorias nas ligações cerebrais com a administração de canabinóides

Na Universidade de Bona, Alemanha, descobriram que um dos ingredientes ativos da canábis produziu melhorias no desempenho cerebral de ratos.

A investigação realizada com pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, debruçou-se sobre os efeitos do THC no desempenho cerebral de ratos.

Segundo a Universidade alemã, aqueles ratos têm uma vida útil relativamente curta e, apenas com doze meses, podem evidenciar perdas de performance na memória.

Canabinóides podem reverter relógio molecular

Andreas Zimmer, do Instituto de Psiquiatria Molecular da Universidade de Bona, afirmou que “o tratamento fez regredir por completo a perda de capacidades nos animais mais velhos”. Inclusivamente, existiu aumento de ligações nas células cerebrais, condição importante para a capacidade de aprendizagem.

Tudo indica, assinala Zimmer, que “o tratamento com THC reverteu o relógio molecular.” Estes resultados são animadores no que respeita ao combate a doenças como Alzheimer e dão ainda mais ênfase ao potencial da planta cannabis sativa.

Findos alguns anos de investigação, os cientistas descobriram que o cérebro dos ratos envelhece mais rapidamente quando não existem receptores cerebrais de THC, mais especificamente, receptores de canabinóides 1 (CB1).

Os canabinóides têm resultados promissores na terapêutica de doenças neurodegenerativas

Não existindo aqueles receptores específicos, os THC CB1 imitam o efeito dos canabinóides, substâncias produzidas naturalmente pelo organismo e que desempenham um papel fundamental em funções cerebrais.

Mas o THC também é responsável pelos efeitos tóxicos ou indesejados para fins terapêuticos, embora não se tenham verificado nestes testes, nos quais se administraram doses reduzidas.

É devido à ausência de efeitos psicoativos que o canabidiol (CBD) tem sido amplamente estudado, pois beneficia o organismo a diversos níveis e sem os efeitos indesejados.

É também graças à ausência de contra-indicações que a Organização Mundial de Saúde emitiu um parecer em 2018 acerca do potencial terapêutico do canabidiol.

Na comunicação do site da Universidade, os responsáveis pela investigação adiantam que o passo seguinte serão ensaios clínicos em humanos, com o objectivo de confirmar se estes canabinóides também produzem os mesmos resultados em termos de reversão do envelhecimento cerebral. Os resultados do estudo foram publicados no Nature Medicine.

Investigações numa universidade brasileira com resultados publicados no site PubMed concluíram que o “canabidiol é um constituinte não psicoactivo com potencial para tratar doenças neurodegenerativas”.