OMS afirma que canabidiol tem potencial terapêutico e é seguro

Com os numerosos estudos a confirmarem o potencial terapêutico do canabidiol, bem como a abertura um pouco por todo o mundo àquele canabinóide, a Organização Mundial de Saúde (OMS) dedicou especial atenção aos dados científicos existentes. No site pubmed.gov, uma das referências mundiais em publicação de informação científica na área da saúde, existem, à data, 6227 resultados acerca de estudos com canabidiol.

A informação tem sido divulgada em prestigiados sites de investigação médica e cresce o numero de profissionais de saúde defensores, tanto da cannabis medicinal, como do canabidiol. O trabalho da RTP1, por exemplo, mostra-nos a abordagem com cannabis medicinal a doenças graves e a importância dos canabinóides, nomeadamente do CBD.

A OMS recomendou às Nações Unidas que as preparações de CBD puro sejam retiradas do regime proibitivo

Para avaliar a veracidade e credibilidade dos estudos existentes sobre canabidiol (CBD), tetrahidrocanabinol (THC) e demais componentes da cannabis, a OMS debruçou-se atentamente sobre o tema. Em Junho de 2018, teve lugar o 40º encontro do Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, pertencente à OMS, dedicado à revisão da cannabis e seus componentes.

A literatura científica acerca do canabidiol tem evidenciado as vantagens em diversas doenças, como epilepsia
A OMS afirma que o CBD puro não implica riscos para a saúde nem causa dependência

Os especialistas levaram à mesa de discussão revisões de estudos acerca da cannabis, substâncias e derivados, pelo potencial terapêutico de alguns componentes.

O Comité efetuou uma revisão a dados científicos sobre CBD, planta e resina da cannabis, extratos e tinturas, THC e isómeros do THC. Dadas as características próprias e os resultados mostrados ao longo de anos de investigação, o canabidiol acabou por destacar-se.

Após avaliação e conclusões por parte do Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, a OMS endereçou uma carta ao Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, na qual enuncia várias recomendações acerca do CBD, nomeadamente, seu potencial terapêutico e segurança.

Na missiva às Nações Unidas, a OMS chama também a atenção para a necessidade de separar o CBD das outras substâncias, uma vez que o enquadramento legal do CBD está completamente desajustado da realidade, tendo em conta os resultados científicos e o potencial benéfico do canabinóide.

CBD é bem tolerado e seguro

Nas recomendações dirigidas às Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde declara que o CBD é um dos canabinóides que ocorrem naturalmente nas plantas cannabis e que não existem registos de abuso ou dependência relacionados com a utilização de CBD puro.

A OMS informa ainda que “não há registo de problemas de saúde pública relacionadas com o uso de CBD” e destaca que “o CBD é geralmente bem tolerado e com bom perfil de segurança”, mesmo que assinalando alguma perda de apetite, casos de diarreia e fadiga como possíveis efeitos adversos.

CBD é eficaz em Epilepsia

O canabidiol continua a ser estudado em diversos usos clínicos, como referido pela OMS, que destaca os avanços no campo da Epilepsia. Nos ensaios clínicos avaliados pelo Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, o CBD demonstrou “eficácia no tratamento de algumas formas de epilepsia, como síndrome de Lennox-Gastaut e síndrome de Dravet, que são frequentemente resistentes a medicação”.

“Entre as substâncias que não são psicoativas nas preparações derivadas como extratos ou tinturas de cannabis, algumas, como o canabidiol, têm indicações terapêuticas promissoras.”

O OMS realça a importância deste canabinóide na Epilepsia e sublinha o facto de, após reunião do Comité, a Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, ter aprovado um medicamento com CBD puro. Saiba mais acerca dos benefícios e tipos de aplicação de canabidiol aqui.

CBD e cannabis: distinção necessária

As recomendações da OMS alertam para a necessidade de separar o trigo do joio e distinguir entre CBD, cannabis e outras substâncias da planta.

O CBD está contemplado no Nível I da tabela “Single Convention on Narcotic Drugs”, de 1961, que alerta para os efeitos prejudiciais das substâncias ali descritas.

No entanto, a OMS declara não existirem evidências de que o CBD esteja associado a abusos ou tenha efeitos semelhantes aos de outras substâncias. Estes efeitos estão associados à cannabis enquanto planta integral (anexada à tabela na Convenção de 1961) e ao THC (na tabela da Convenção de 1972). Os estudos existentes acerca do CBD não apresentam dados que justifiquem a permanência do canabidiol nas tabelas de substâncias prejudiciais.

Para a OMS não faz sentido o CBD manter-se nas tabelas de substâncias proibidas. Não existem registos de perigo de saúde pública

As conclusões levaram a que a OMS tenha recomendado às Nações Unidas que as preparações de CBD puro sejam retiradas do regime proibitivo.

O Comité “reconhece que as propriedades psicoativas daquelas preparações de extratos e tinturas de cannabis se devem ao THC e possivelmente a isómeros do THC”.

Pode ler-se na declaração enviada a António Guterres que “existem estudos que avaliaram o potencial de dependência de vários componentes em extratos e tinturas de cannabis” e que, enquanto alguns “componentes (como o Delta9THC) mostraram potencial de dependência, outras substâncias daquelas preparações (como o CBD) não têm potencial de dependência.

No que respeita a substâncias sem efeitos psicoativos, o potencial terapêutico do CBD volta a destacar-se:

“Entre as substâncias que não são psicoativas nas preparações derivadas como extratos ou tinturas de cannabis, algumas, como o canabidiol, têm indicações terapêuticas promissoras.”

Entre as substâncias da cannabis, o CBD é a que tem concentrado mais atenção dos investigadores pela ausência de efeitos prejudiciais, facto que o Comité comprovou na revisão de 2018. Vários estudos demonstram que o canabidiol mostra validade científica em diversas doenças e patologias, como Colite e Doenças Inflamatórios do cólon, nas doenças neurodegenerativas ou no cancro da mama, por exemplo.

Fotos: João Silas; Leander Lenzing; Valmir Dzivielevski Junior (Unsplash)