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Tratamentos com Canábis medicinal aprovados pelo Infarmed

A canábis medicinal foi autorizada pelo Infarmed em várias situações que beneficiam da terapia com canabinóides. A lista aprovada pela entidade reguladora contém patologias – como epilepsia e glaucoma – que, segundo parecer da Ordem dos Médicos em 2017, não tinham benefícios comprovados cientificamente. Por outro lado, noutras doenças, a Ordem dos Médicos já apontava a canábis medicinal com benefícios verificados.

Aprovação do Infarmed para prescrição de canábis medicinal: 

  • náuseas, vómitos (resultantes da quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para hepatite C);
  • espasticidade associada à esclerose múltipla ou lesões da espinal medula;
  • dor crónica (associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso, como por exemplo na dor neuropática causada por lesão de um nervo, dor do membro fantasma, nevralgia do trigémio ou após herpes zoster);
  • epilepsia e tratamento de transtornos convulsivos graves na infância, tais como as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut;
  • glaucoma resistente à terapêutica.
  • síndrome de Gilles de la Tourette
  • estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA

A lista aprovada pelo Infarmed para o tratamento com canábis medicinal tem efeitos desde o dia 1 de fevereiro, com o compromisso de revisões periódicas “em função da evolução do conhecimento técnico científico”.

Estudos e revisões de estudos com CBD e THC, os canabinóides mais conhecidos da planta, mostraram que esta abordagem terapêutica tem resultados promissores em problemas neurodegenerativos e em doenças inflamatórias do cólon,entre outras doenças.

A Organização Mundial de Saúde também publicou, em 2018, um parecer acerca da necessidade de continuar a estudar as potencialidades do canabidiol (CBD), afirmando que o CBD tem potencial terapêutico e é seguro, apontando a epilepsia como um dos exemplos.

Foto: Konstantin Kolosov
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CannabiGold patrocina evento Hemp Summit

A CannabiGold será um dos principais patrocinadores do Asian Hemp Summit, evento dedicado ao mundo do cânhamo e que se realizará no principio de Fevereiro, em Katmandu, no Nepal. A CannabiGold é uma marca da empresa polaca Hempoland que se dedica à investigação e produção de produtos de óleo de cânhamo com CBD.

“Foi a maior transação realizada na europa no negócio do cânhamo”

Para garantir a máxima qualidade, a Hempoland controla todas as fases de produção do óleo, contando mesmo com plantações próprias. A empresa sediada em Elblag, Polónia, assegura desta forma a qualidade do produto num ecossistema praticamente fechado. Desde as sementes selecionadas ao embalamento, passado pela colheita, processos de seleção das plantas, obtenção dos óleos e extração dos canabinóides, o processo obedece às regras da empresa, sem intervenções exteriores. 

A exigência e profissionalismo na pesquisa, investigação e processos de desenvolvimento da Hempoland chegou ao outro lado do Atlântico e cativou um dos grandes operadores canadianos.

A The Green Organic Dutchman Holdings Ltd. (TGOD), dedicada ao cultivo de cannabis medicinal, rendeu-se ao trabalho e posicionamento da empresa polaca na abordagem do canabidiol (CBD) e seu potencial terapêutico, e adquiriu a Hempoland, em Agosto de 2018.

A TGOD efetuou um investimento total de 25 milhões de dólares, comprando a totalidade da Hempoland e a marca CannabiGold. Em entrevista ao site HempToday, Jacek Kramarz, Director de vendas da Hempoland, afirma que aquela foi a maior transação realizada na europa no negócio do cânhamo.

A CannabiGold esteve presente nas duas edições da CannaDouro, em 2017 e 2018, e foi uma das marcas convidadas na primeira edição do evento portuense, com Jacek Kramarz como um dos palestrantes.

O bestseller da CannabiGold em Portugal é o óleo de cânhamo 500mg CBD., dado o equilíbrio entre os seus compostos, assim como a relação qualidade/preço.

 

 

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OMS afirma que canabidiol tem potencial terapêutico e é seguro

Com os numerosos estudos a confirmarem o potencial terapêutico do canabidiol, bem como a abertura um pouco por todo o mundo àquele canabinóide, a Organização Mundial de Saúde (OMS) dedicou especial atenção aos dados científicos existentes. No site pubmed.gov, uma das referências mundiais em publicação de informação científica na área da saúde, existem, à data, 6227 resultados acerca de estudos com canabidiol.

A informação tem sido divulgada em prestigiados sites de investigação médica e cresce o numero de profissionais de saúde defensores, tanto da cannabis medicinal, como do canabidiol. O trabalho da RTP1, por exemplo, mostra-nos a abordagem com cannabis medicinal a doenças graves e a importância dos canabinóides, nomeadamente do CBD.

A OMS recomendou às Nações Unidas que as preparações de CBD puro sejam retiradas do regime proibitivo

Para avaliar a veracidade e credibilidade dos estudos existentes sobre canabidiol (CBD), tetrahidrocanabinol (THC) e demais componentes da cannabis, a OMS debruçou-se atentamente sobre o tema. Em Junho de 2018, teve lugar o 40º encontro do Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, pertencente à OMS, dedicado à revisão da cannabis e seus componentes.

A literatura científica acerca do canabidiol tem evidenciado as vantagens em diversas doenças, como epilepsia
A OMS afirma que o CBD puro não implica riscos para a saúde nem causa dependência

Os especialistas levaram à mesa de discussão revisões de estudos acerca da cannabis, substâncias e derivados, pelo potencial terapêutico de alguns componentes.

O Comité efetuou uma revisão a dados científicos sobre CBD, planta e resina da cannabis, extratos e tinturas, THC e isómeros do THC. Dadas as características próprias e os resultados mostrados ao longo de anos de investigação, o canabidiol acabou por destacar-se.

Após avaliação e conclusões por parte do Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, a OMS endereçou uma carta ao Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, na qual enuncia várias recomendações acerca do CBD, nomeadamente, seu potencial terapêutico e segurança.

Na missiva às Nações Unidas, a OMS chama também a atenção para a necessidade de separar o CBD das outras substâncias, uma vez que o enquadramento legal do CBD está completamente desajustado da realidade, tendo em conta os resultados científicos e o potencial benéfico do canabinóide.

CBD é bem tolerado e seguro

Nas recomendações dirigidas às Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde declara que o CBD é um dos canabinóides que ocorrem naturalmente nas plantas cannabis e que não existem registos de abuso ou dependência relacionados com a utilização de CBD puro.

A OMS informa ainda que “não há registo de problemas de saúde pública relacionadas com o uso de CBD” e destaca que “o CBD é geralmente bem tolerado e com bom perfil de segurança”, mesmo que assinalando alguma perda de apetite, casos de diarreia e fadiga como possíveis efeitos adversos.

CBD é eficaz em Epilepsia

O canabidiol continua a ser estudado em diversos usos clínicos, como referido pela OMS, que destaca os avanços no campo da Epilepsia. Nos ensaios clínicos avaliados pelo Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, o CBD demonstrou “eficácia no tratamento de algumas formas de epilepsia, como síndrome de Lennox-Gastaut e síndrome de Dravet, que são frequentemente resistentes a medicação”.

“Entre as substâncias que não são psicoativas nas preparações derivadas como extratos ou tinturas de cannabis, algumas, como o canabidiol, têm indicações terapêuticas promissoras.”

O OMS realça a importância deste canabinóide na Epilepsia e sublinha o facto de, após reunião do Comité, a Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, ter aprovado um medicamento com CBD puro. Saiba mais acerca dos benefícios e tipos de aplicação de canabidiol aqui.

CBD e cannabis: distinção necessária

As recomendações da OMS alertam para a necessidade de separar o trigo do joio e distinguir entre CBD, cannabis e outras substâncias da planta.

O CBD está contemplado no Nível I da tabela “Single Convention on Narcotic Drugs”, de 1961, que alerta para os efeitos prejudiciais das substâncias ali descritas.

No entanto, a OMS declara não existirem evidências de que o CBD esteja associado a abusos ou tenha efeitos semelhantes aos de outras substâncias. Estes efeitos estão associados à cannabis enquanto planta integral (anexada à tabela na Convenção de 1961) e ao THC (na tabela da Convenção de 1972). Os estudos existentes acerca do CBD não apresentam dados que justifiquem a permanência do canabidiol nas tabelas de substâncias prejudiciais.

Para a OMS não faz sentido o CBD manter-se nas tabelas de substâncias proibidas. Não existem registos de perigo de saúde pública

As conclusões levaram a que a OMS tenha recomendado às Nações Unidas que as preparações de CBD puro sejam retiradas do regime proibitivo.

O Comité “reconhece que as propriedades psicoativas daquelas preparações de extratos e tinturas de cannabis se devem ao THC e possivelmente a isómeros do THC”.

Pode ler-se na declaração enviada a António Guterres que “existem estudos que avaliaram o potencial de dependência de vários componentes em extratos e tinturas de cannabis” e que, enquanto alguns “componentes (como o Delta9THC) mostraram potencial de dependência, outras substâncias daquelas preparações (como o CBD) não têm potencial de dependência.

No que respeita a substâncias sem efeitos psicoativos, o potencial terapêutico do CBD volta a destacar-se:

“Entre as substâncias que não são psicoativas nas preparações derivadas como extratos ou tinturas de cannabis, algumas, como o canabidiol, têm indicações terapêuticas promissoras.”

Entre as substâncias da cannabis, o CBD é a que tem concentrado mais atenção dos investigadores pela ausência de efeitos prejudiciais, facto que o Comité comprovou na revisão de 2018. Vários estudos demonstram que o canabidiol mostra validade científica em diversas doenças e patologias, como Colite e Doenças Inflamatórios do cólon, nas doenças neurodegenerativas ou no cancro da mama, por exemplo.

Fotos: João Silas; Leander Lenzing; Valmir Dzivielevski Junior (Unsplash)

 

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CBD em Colite/Doenças Inflamatórias do Cólon

Para apurar acerca dos potenciais efeitos do Canabidiol em Colite e Doenças Inflamatórias do Cólon (Colite Ulcerosa e Doença da Crohn), várias equipas de cientistas efetuaram, ao longo dos últimos anos, abordagens experimentais diversas.

Dois estudos pré-clínicos (2)(4), de 2016 e 2010, utilizaram a mieloperoxidase e sua atividade inflamatória como marcador principal. Um outro estudo (5), da Universidade Frederico II, em Nápoles, Itália, utilizou vários marcadores, nomeadamente cicloxigenase, iNOS (inducible nitric oxide synthase), interleucinas, ROS e peroxidação lipídica.

Da mesma Universidade, um outro estudo (3) faz uma abordagem aos mecanismos relacionais entre Sistema Nervoso Central e Colite Ulcerativa, com o CBD a atingir efeitos significativos na expressão de neurotrofinas indutoras de inflamação e respostas imunitárias aumentadas.

Em todos estes estudos, com inflamações quimicamente induzidas, foram assinaladas melhorias, não só nos respetivos marcadores, como na avaliação global sintomatológica, sangramento, diarreia, cãibras, mal-absorção/desnutrição.

Num estudo (1) recente, duplo cego, promovido por várias instituições no Reino Unido, em pacientes diagnosticados com Colite Ulcerosa, foram registados resultados similares, com os autores a concluírem que “diversos sinais sugerem que extratos botânicos enriquecidos em CBD podem ser benéficos para o tratamento sintomatológico da Colite Ulcerosa”.

 

Créditos foto: Darko Djurin, Pixabay
Bibliografia
1. A Randomized, Double-blind, Placebo-controlled, Parallel-group, Pilot Study of Cannabidiol-rich Botanical Extract in the Symptomatic Treatment of Ulcerative Colitis.
Irving PM, Iqbal T, Nwokolo C, Subramanian S, Bloom S, Prasad N, Hart A, Murray C, Lindsay JO, Taylor A, Barron R, Wright S.
Inflamm Bowel Dis. 2018 Mar 19;24(4):714-724. doi: 10.1093/ibd/izy002.
PMID: 29538683
2. Abnormal cannabidiol attenuates experimental colitis in mice, promotes wound healing and inhibits neutrophil recruitment.
Krohn RM, Parsons SA, Fichna J, Patel KD, Yates RM, Sharkey KA, Storr MA.
J Inflamm (Lond). 2016 Jul 14;13:21. doi: 10.1186/s12950-016-0129-0. eCollection 2016.
PMID: 27418880
3. Cannabidiol reduces intestinal inflammation through the control of neuroimmune axis.
De Filippis D, Esposito G, Cirillo C, Cipriano M, De Winter BY, Scuderi C, Sarnelli G, Cuomo R, Steardo L, De Man JG, Iuvone T.
PLoS One. 2011;6(12):e28159. doi: 10.1371/journal.pone.0028159. Epub 2011 Dec 6.
PMID: 22163000
4. The effects of Delta-tetrahydrocannabinol and cannabidiol alone and in combination on damage, inflammation and in vitro motility disturbances in rat colitis.
Jamontt JM, Molleman A, Pertwee RG, Parsons ME.
Br J Pharmacol. 2010 Jun;160(3):712-23. doi: 10.1111/j.1476-5381.2010.00791.x.
PMID: 20590574
5. Cannabidiol, a safe and non-psychotropic ingredient of the marijuana plant Cannabis sativa, is protective in a murine model of colitis.
Borrelli F, Aviello G, Romano B, Orlando P, Capasso R, Maiello F, Guadagno F, Petrosino S, Capasso F, Di Marzo V, Izzo AA.
J Mol Med (Berl). 2009 Nov;87(11):1111-21. doi: 10.1007/s00109-009-0512-x. Epub 2009 Aug 20.
PMID: 19690824