OMS afirma que CBD tem potencial terapêutico e é seguro

 

O 40º encontro do Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, pertencente à Organização Mundial de Saúde (OMS), teve lugar em Junho de 2018 e foi dedicado à revisão da cannabis e seus componentes.

Os especialistas levaram à mesa de discussão revisões de estudos acerca da cannabis, substâncias e derivados, pelo potencial terapêutico de alguns componentes, com destaque para o canabidiol (CBD).

O Comité efetuou uma revisão a dados científicos sobre CBD, planta e resina da Cannabis, extratos e tinturas, THC e isómeros do THC.

Após avaliação por parte daquele organismo, a OMS endereçou uma carta ao Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, na qual enuncia várias recomendações centradas nos benefícios e potencial do CBD.

Além do potencial do canabidiol, a OMS chama a atenção para a necessidade de separar o CBD das outras substâncias, uma vez que o enquadramento legal do CBD está completamente desajustado da realidade, tendo em conta os benefícios e os resultados científicos.

CBD é bem tolerado e seguro

Nas recomendações dirigidas às Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde declara que o CBD é um dos canabinóides que ocorrem naturalmente nas plantas cannabis e que não existem registos de abuso ou dependência relacionados com a utilização de CBD puro.

A OMS informa ainda que “não há registo de problemas de saúde pública relacionadas com o uso de CBD” e destaca que “o CBD é geralmente bem tolerado e com bom perfil de segurança”, mesmo que assinalando perda de apetite, diarreia e fadiga como possíveis efeitos adversos.

CBD é eficaz em Epilepsia

O CBD continua a ser estudado em diversos usos clínicos, como referido pela OMS, que destaca os avanços no campo da Epilepsia. Nos ensaios clínicos avaliados pelo Comité dos Especialistas de Dependência de Drogas, o CBD demonstrou “eficácia no tratamento de algumas formas de epilepsia, como síndrome de Lennox-Gastaut e síndrome de Dravet, que são frequentemente resistentes a medicação”.

Estas conclusões estão, inclusive, de acordo com vários estudos científicos acerca de CBD em Epilepsia, dos quais fazem parte dados que publicamos aqui, acerca dos benefícios do CBD.

O OMS realça a importância deste canabinóide no campo da Epilepsia e sublinha o facto de, após reunião do Comité, a Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, ter aprovado um medicamento com CBD puro.

CBD e cannabis: distinção necessária

As recomendações da OMS alertam para a necessidade de separar o trigo do joio e distinguir entre CBD, cannabis e outras substâncias da planta.

O CBD está contemplado no Nível I da tabela “Single Convention on Narcotic Drugs”, de 1961, que alerta para os efeitos prejudiciais das substâncias ali descritas.

No entanto, a OMS declara não existirem evidências de que o CBD esteja associado a abusos ou tenha efeitos semelhantes aos de outras substâncias. Estes efeitos estão associados à cannabis enquanto planta integral (anexada à tabela na Convenção de 1961) e ao THC (na tabela da Convenção de 1972).

A OMS recomenda que as preparações de CBD puro sejam retiradas daquelas tabelas, uma vez que não existem provas que justifiquem o mesmo nivelamento do canabidiol com as outras substâncias prejudiciais.

 

O Comité “reconhece que as propriedades psicoativas daquelas preparações de extratos e tinturas de cannabis se devem ao THC e possivelmente a isómeros do THC”. Pode ler-se na declaração enviada a António Guterres que “existem estudos que avaliaram o potencial de dependência de vários componentes em extratos e tinturas de cannabis” e que, enquanto alguns “componentes (como o Delta9THC) mostraram potencial de dependência, outras substâncias daquelas preparações (como o CBD) não têm potencial de dependência.”

No que respeita a substâncias sem efeitos psicoativos, o potencial terapêutico do CBD volta a destacar-se:

“Entre as substâncias que não são psicoativas nas preparações derivadas como extratos ou tinturas de cannabis, algumas, como o canabidiol, têm indicações terapêuticas promissoras.”

Entre as substâncias da cannabis, o CBD é a que tem concentrado mais atenção dos investigadores pela ausência de efeitos prejudiciais, facto que este Comité comprova nesta revisão de 2018. O CBD demonstra validade científica em diversas doenças e patologias, como Colite e Doenças Inflamatórios do cólon, nas doenças neurodegenerativas ou no cancro da mama, por exemplo.

 

Fotos:
FotoshopTofs; Darko Stojanovic; Pete Linforth; TinaKru